Quem são os líderes do Paquistão que ajudaram a mediar cessar-fogo EUA-Irã
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, apresentou a proposta de cessar-fogo aceita pelos Estados Unidos e pelo Irã nesta terça-feira (7). Os dois lados concordaram em suspender os ataques por duas semanas e a expectativa é de negociações em Islamabad para “resolver todas as disputas”.
O Paquistão tem se posicionado como um importante mediador no conflito, aproveitando as relações estáveis com Washington e Teerã. O país compartilha uma longa fronteira, além de laços culturais e religiosos com o Irã.
Sharif pediu a Donald Trump estendesse o prazo para um acordo e ao Irã que reabrisse o Estreito de Ormuz por duas semanas. Durante esse período, os dois lados devem manter o cessar-fogo “para permitir que a diplomacia chegue a um fim conclusivo da guerra”.
Ao anunciar que os Estados Unidos e o Irã concordaram com o cessar-fogo imediato, Sharif disse ter recebido com entusiasmo o “gesto sensato”, agradeceu aos líderes americanos e iranianos e convocou os dois lados para as negociações em Islamabad na sexta-feira (10).
Quem é Shehbaz Sharif?
Sharif foi eleito pela segunda vez em 2024, em disputa marcada por atrasos e denúncias generalizadas de fraude. Antes disso, ele havia atuado como primeiro-ministro entre 2022 e 2023, depois de liderar a campanha para destituir o ex-astro do críquete Imran Khan do cargo por alegações de má gestão.
Herdeiro de uma dinastia do aço, Shehbaz é irmão mais novo de Nawaz Sharif, que foi primeiro-ministro por três vezes.
Antes de assumir o governo do Paquistão, ele foi ministro-chefe da província de Punjab – a mais populosa do país –, mas teve o mandato interrompido em 1999, quando as Forças Armadas deram um golpe no governo do seu irmão Nawaz Sharif.
Na época, Shehbaz Sharif chegou a ser detido e se exilar voluntariamente na Arábia Saudita.
De volta ao Paquistão, ele foi reeleito ministro-chefe de Punjab em 2008. Uma década depois, assumiu a liderança do partido Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N) depois que o irmão foi condenado por corrupção e impedido de exercer cargos políticos.

O poderoso chefe do Exército Asim Munir
Outro líder paquistanês que ajudou a mediar o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos foi o chefe do Exército Asim Munir.
Nesta terça-feira, enquanto o Paquistão buscava um acordo para evitar que Donald Trump cumprisse o seu ultimato e atacasse a infraestrutura do Irã, uma fonte disse à CNN, que “boas notícias eram esperadas” e que Munir estava conduzindo as discussões diretamente.
O marechal também foi citado por Donald Trump na publicação em que anunciou o cessar-fogo.
“Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, e nas quais eles solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva sendo enviada esta noite para o Irã, e sujeito à República Islâmica do Irã concordar com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, eu concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas”, escreveu.
Enquanto o Paquistão se tornou um importante parceiro dos EUA no segundo mandato do republicano, Trump também desenvolveu uma relação próxima com Asim Munir, com quem se encontrou várias vezes e a quem se refere como seu “marechal de campo favorito”.
