Fux poderá ser sondado para ser candidato a Presidente da República apoiado por Bolsonaro
Por Rubem Gama
Nos bastidores da política nacional, um novo nome começa a circular entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro: o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. O rumor, ainda não oficial, é de que Fux estaria sendo testado como um “soldado” do bolsonarismo para medir seu potencial como candidato à Presidência da República em 2026. O cenário se desenha em meio ao julgamento da chamada “trama golpista”, onde o voto do ministro surpreendeu ao absolver Bolsonaro de acusações graves, fortalecendo sua imagem junto à direita e à extrema-direita.
O voto de Fux e a aproximação com o bolsonarismo
O voto do ministro Luiz Fux, que durou quase 13 horas, teve impacto direto no tabuleiro político. Ao alegar cerceamento de defesa e questionar a competência do STF para julgar certos crimes, Fux acabou absolvendo Jair Bolsonaro de cinco acusações e aliviando a situação de outros réus.
A decisão, vista por apoiadores de Bolsonaro como um gesto de coragem e imparcialidade, colocou Fux em um lugar inesperado: de vilão institucional para alguns, a potencial liderança política para outros. Seu posicionamento repercutiu fortemente entre os bolsonaristas, que enxergaram nele alguém disposto a romper a lógica de condenações unilaterais.
A hipótese de Fux candidato
Os rumores de bastidores indicam que, diante da inelegibilidade de Bolsonaro, há a necessidade urgente de encontrar um nome competitivo que mantenha viva a chama do bolsonarismo. Fux surge, assim, como um candidato outsider, sem histórico de disputas eleitorais, mas com peso institucional e respaldo de um voto emblemático.
Analistas políticos ressaltam que, sozinho, Fux teria poucas chances de deslanchar: não tem partido, não tem base eleitoral regional e tampouco carisma popular já consolidado. Contudo, se avalizado por Bolsonaro como herdeiro político, as chances mudam de patamar.
O peso do apoio de Bolsonaro
É inegável que o bolsonarismo permanece como uma das maiores forças eleitorais do país. Mesmo inelegível, Bolsonaro continua arrastando milhões de seguidores fiéis. Nas pesquisas, sua ausência deixa a direita fragmentada, enquanto sua presença ou influência direta consolida o eleitorado.
Caso Bolsonaro assuma Fux como seu “soldado” e o apresente como candidato, a transferência de votos seria quase automática. O bolsonarismo tem histórico de disciplina e engajamento, o que poderia colocar Fux em posição competitiva para chegar ao segundo turno contra Lula.
As vantagens de Fux como nome bolsonarista
- Baixa rejeição à direita – Fux não carrega histórico de envolvimento partidário e, portanto, não sofre resistência dentro do espectro conservador.
- Imagem de imparcialidade jurídica – Seu discurso de que “o STF não deve fazer juízo político” pode ser transformado em narrativa de independência e legalidade.
- Capital político imediato – Um único gesto, seu voto no julgamento, já o tornou simpático a uma base eleitoral massiva.
- Unificação da direita – Com Bolsonaro apontando o caminho, Fux poderia superar a divisão entre nomes como Tarcísio, Zema e Michelle Bolsonaro.
Os riscos de uma eventual candidatura
- Desafios institucionais – Fux precisaria deixar o STF, o que geraria críticas sobre sua imparcialidade passada.
- Resistência do centro e da esquerda – O apoio explícito de Bolsonaro pode transformar sua candidatura em alvo de rejeição automática em setores amplos da sociedade.
- Estrutura partidária – Seria necessário o apoio de um partido forte, como o PL, para dar musculatura a uma campanha nacional.
- Concorrência interna – Michelle Bolsonaro e outros nomes ainda pleiteiam o posto de sucessor, o que poderia dificultar sua consolidação.
Fux x Lula em 2026: um segundo turno possível?
Se Bolsonaro endossar Luiz Fux como candidato, a probabilidade de o ministro chegar ao segundo turno aumenta consideravelmente. No entanto, vencer Lula em 2026 dependeria de variáveis externas:
- O desempenho do governo federal até lá;
- O cenário econômico e social;
- A capacidade de Fux se apresentar não apenas como candidato da direita, mas como alternativa viável para o eleitorado de centro.
A polarização continuaria sendo o eixo da eleição. Fux teria vantagem inicial pelo aval bolsonarista, mas sua vitória dependeria de conquistar parte do eleitorado não radicalizado.
Ainda é cedo para cravar se Luiz Fux será mesmo o nome escolhido pelo bolsonarismo. Mas o voto no julgamento da “trama golpista” abriu portas inesperadas. O ministro deixou de ser apenas juiz e se tornou, ainda que indiretamente, uma figura cogitada no xadrez eleitoral.
Se Bolsonaro realmente decidir transformá-lo em candidato, Fux poderá ser o soldado convocado para a maior batalha política do país em 2026: disputar a Presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva, carregando consigo a esperança de milhões de eleitores fiéis ao bolsonarismo.
