Tensões “acalmadas” pelo liberalismo voltaram rapidamente, diz Barral
O cenário geopolítico global tem apresentado transformações significativas nas últimas décadas, com o ressurgimento de tensões que pareciam ter sido superadas pelo liberalismo após a queda do Muro de Berlim.
Durante o período pós-Guerra Fria, houve uma percepção generalizada de que o liberalismo havia triunfado, marcada pela famosa tese do “fim da história” de Francis Fukuyama. Esta visão se consolidou com a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e diversos acordos de liberalização econômica.
“Os últimos dez anos têm dado várias demonstrações ao contrário. A crise financeira global, a pandemia e, especialmente, a Guerra na Ucrânia. Ninguém imaginaria dez anos atrás uma nova guerra na Europa. As tensões que pareciam amainadas pelo liberalismo começaram a surgir muito rapidamente”, diz Weber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e consultor do Banco Ouribank
As tensões estatais e geográficas não se limitam ao continente europeu, estendendo-se a outras regiões como a África, que frequentemente recebe menor atenção da comunidade internacional. O ressurgimento desses conflitos tem ocorrido em um ritmo acelerado, desafiando as expectativas de estabilidade geopolítica estabelecidas no final do século XX.
